segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Seja a sua figura de referência interna

Ao longo da nossa vida criamos figuras de referência.


Os avós, os pais, os tios, o professor, entre outros. Vemos estas pessoas como exemplos a seguir. Há sempre aquela pessoa que nós admiramos quando somos crianças e que gostaríamos de ser como ela.


Essa ilusão desfaz-se na adolescência quando começamos a questionar tudo e todos na sua perfeição ilusória e começamos a procurar outras figuras de referência. Muitas vezes cantores, actores, pessoas inalcançáveis, ou seja, aparentemente perfeitas.


É natural como crianças que procuremos exemplos a seguir. Procuramos pessoas que nos possam inspirar a ser alguém. Queremos ser como elas quando crescermos.


Até certo ponto é algo bom para nós. Deixa de ser bom para nós quando não criamos uma referência interna, uma identidade pessoal bem cimentada.


Deixa de ser bom quando a nossa auto-estima é baixa, quando não nos conhecemos bem a nós próprios, quando não conhecemos os nossos defeitos e as nossas qualidades, quando duvidamos de nós mesmos, quando não nos aceitamos.


Deixa de ser bom quando estamos pendentes das opiniões alheias para sermos alguém.


Depender dos outros é entregar a nossa identidade nas mãos alheia. 


Não darmos um passo sem pensar o que os outros gostariam que nós fizéssemos. Preocuparmo-nos com o que os outros pensam. Martirizarmo-nos sobre o que deveríamos ter feito para agradar os outros. E os outros nunca estão satisfeitos e nós nunca os conseguimos agradar.


Chega o medo, a frustração, a raiva, a tristeza, o desânimo de nunca estarmos à altura de agradar a toda a gente.


A verdade é que é impossível agradar a toda a gente pois vivemos num mundo complexo em que cada pessoa é ela mesmo um mundo complexo.


Falta-nos a referência interna. 

A referência interna é a bússola que nos guia para o Norte. 

É a nossa auto-estima, o nosso autoconhecimento. É sabermos que somos o melhor que podemos e agimos da melhor forma possível de acordo com a nossa consciência e não à mercê do que pensam as outras pessoas que deveríamos ser ou fazer.


Nós já somos dotados de uma personalidade, de defeitos e qualidades. A nossa referência interna são estes aspectos. Devem ser os mais importantes na nossa vida e devemos ser completamente fiéis aos mesmos.


Só assim não andaremos perdidos à deriva no meio dos destritos dos problemas existenciais que todos nós temos.


Torne-se a sua própria referência. Ame-se. Cuide de si. Trabalhe as suas qualidades e defeitos. Defina uma missão pessoal, defina projectos, defina metas e baseie-se naquilo que quer e deseja.


Deixe de usar como referencial o que os outros pensam e querem que nós façamos porque no fim é connosco mesmos que vamos dormir e acordar para o resto das nossas vidas.


Oiça sim o que os outros têm para lhe dizer e aconselhar, mas tenha o discernimento de escolher o que lhe interessa ou convém. O que lhe faz bem.


Sempre haverá opiniões boas e más. Sempre haverá alguém agradado e alguém desagradado. Aprenda a agradar primeiro a si mesmo. Seja o seu próprio referencial e verá que tudo muda.


A vida se torna mais leve, mais alegre. 
Verá que aos poucos deixa de dar importância a opiniões menos boas e começa a ganhar capacidade de avaliar uma opinião válida para si de uma opinião equivalente a lixo.



Só você sabe o que é melhor para si. 

Seja a sua referência interna. 

Seja um exemplo para si mesmo. 

Seja feliz!

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Seja o Universo

A Lei da Atracção é considerada por muitos a descoberta do Século.


Faça um desejo e deixe que o Universo lhe responda. 
Aguarde. 

É o mote desta lei. 
Tão simples quanto isso.


Sendo assim porque será que o mundo não mudou drasticamente para melhor? 
Porque é que a Lei da Atracção nos concede pequenos desejos mas não concede grandes desejos?


Algumas pessoas conseguem. Talvez elas saibam algum segredo dentro deste segredo considerado recém-descoberto.


Não tente se justificar ou defender esta lei e tentar explicar porque é que ainda não ganhou os tais milhões, ou a casa na montanha, a casa na praia. Será que não está a desejar com muita força?


Porque o que é dito é que tem de se desejar com muita força, todos os dias.


E o resto do tempo em que não está a desejar? 
O que faz? Fica inerte? 
Não existe nesse espaço de tempo? 
Ou passa 24 horas a desejar? 
Parece muito cansativo.


É de salientar que a inércia não só leva a lado nenhum como acaba por ser entediante.

Então, se não é tão simples como desejar e esperar que o Universo responda, de que estamos a falar?

A Lei da Atracção só por si é uma ilusão. Está incompleta. Afinal ninguém pode afirmar que recebe 100% do que deseja. E quem recebe é porque conhece o “truque”.

Poderá afirmar que só recebemos o que estamos prontos para receber. Poderá ser verdade.

Contudo há algo muito importante que está a escapar a esta teoria.


Não existe o Universo e o Ser Humano. 
Existe uma Unidade. 
Aí é que reside a diferença.


Nós somos pó das estrelas. Toda a matéria que existe veio das estrelas. 
E as estrelas fazem parte do Universo. 
Nós somos o Universo. Consciencialize-se disso. 
Nós somos o Universo e o Universo é nós. Somos tudo. Somos o mesmo.


Quando pede um desejo para o Universo, está a pedir um desejo a si mesmo.


Então, sabendo que está a pedir um desejo a si mesmo, tem lógica fica sentado à espera que o desejo se realize? 
Por esta perspectiva não tem lógica ceder à inércia e ficar apenas a aguardar.


Responsabilize-se. 


Responsabilize-se por quem é. 
Responsabilize-se pelos seus actos, pelas suas, vontades, pelos seus desejos.


Empodere-se. 


Lembre-se de que você e o Universo são a mesma coisa. 
Desenvolva-se, cresça, aprenda. 
Sobretudo sonhe muito. 

Mas nunca pare. 
Nunca fique à espera que aconteça. 

Corra atrás dos seus sonhos e realize-os. 

Sentirá em si essa força poderosa que atribuí ao Universo. 
Você é essa força. 
Não se menospreze, nem se desresponsabilize. 
Não existe a mínima Lei da Atracção se você não souber o que quer, quais os seus sonhos e não for atrás deles.



Aí sim atrairá muitas coisas boas. 
E irá realizar-se. 
O Universo é tudo o que existe e nós fazemos parte dele. 


Nós simplesmente somos. 


Seja o Universo!

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Cansei

Cansei…


Cansei de tentar ser a menina boazinha. A simpática. A educada. A perfeita.


Cansei das exigências da sociedade. Cansei da mania da perfeição. Cansei de tentar.


Cansei de ver a podridão escondida por trás disso tudo. O teatro. A fantochada.


Todos têm segredos. 
Todos tem um lado negro que tentam esconder.
Cansei de ser acusada por dedos acusadores e impiedosos quando eles não são perfeitos. 

Quando eles também cometem erros. 
Quando eles também escondem segredos. 
Quando eles também escondem culpas…


Cansei desse teatro.


Cansei de ser eu apenas pela metade.


Sim eu tenho qualidades. Mas também tenho defeitos.
Cansei de ser vista apenas ou maioritariamente pelos meus defeitos.

Cansei de tentar esconde-los e haver sempre alguém que os vai desenterrar e mostrar em praça pública.

Cansei de tentar esconde-los quando eles sempre arranjam uma maneira de aparecer.

Cansei de ser considerada culpada. Cansei de ser olhada de lado, recriminada.


Cansei da hipocrisia.


Sim eu sou escuro e claro. Luz e sombra. Defeitos e qualidades. Sim eu não sou apenas qualidades.

Eu tenho um lado frágil. Negro. Um lado de que tenho vergonha porque me dizem que não é aceitável.

Não eu não sou perfeita. Eu tenho defeitos. E nada disso irá mudar. Nunca.

Então eu decido sair à rua, sem máscara. Embora inicialmente me irá doer muito…



(Já não doía anteriormente?)


Vou sair sem máscara. Quem assim quiser irá ver o meu lado bom ou o meu lado mau, ou ambos… A decisão é deles. Não minha. Eu sou quem sou e sou como sou.


Gabem as minhas qualidades e ficarei feliz.
Discriminem os meus defeitos e eu não poderei fazer nada senão aceitar. Mesmo que doa.


Porque a partir do momento em que eu aceitar o meu lado escuro, eu serei capaz de me aceitar e verdadeiramente me amar.


E nessa altura não terei medo de errar, mas também não terei medo, sentimentos de culpa, tristeza, em mostrar o meu lado bom.

Porque eu sou um e o outro e nunca apenas um deles. Eu sou uma pessoa completa. 


Integro sombra e luz.


É tempo de aceitarmos a nossa sombra e a nossa luz e se os outros insistirem em apontar a nossa sombra, deixá-los.

Não nos diz respeito a forma como eles veem a sombra nos outros e em si mesmos.


Cada pessoa deverá seguir o seu próprio caminho.

Espelho

Imagine que se encontra a olhar ao espelho e que de repente a sua imagem tem vida própria e a mesma está
a olhar para si com ar reprovador. 

Como se sentiria?

Olharia à sua volta a ver se alguém estaria a observar a cena. Mesmo que estivesse sozinho.

Sentiria o dedo acusador daquela imagem do outro lado do espelho.
Nada fere mais o ego do que um dedo acusador.
Um dedo apontado para si.
Um olhar rancoroso.
Uma expressão maldosa.

Contudo e ironicamente é o seu próprio ego que o faz apontar dedos, criticar aos outros. Qual a diferença? Haverá alguma diferença entre apontar o dedo a alguém ou ser-nos apontado o dedo?

Reflicta sobre isso. E aperceba-se de uma coisa. A imagem no espelho que olha para si com o dedo acusador é você mesmo.
O olhar rancoroso é de si para si.
O dedo acusador é de si para si.
Parece loucura, mas é a realidade.


Critique os outros e estará a criticar a si mesmo. Não acuse se não quer ser acusado. A atitude revela quem está no poder. Você ou o seu Ego.

Terceira Idade – À procura de uma nova perspectiva

Os idosos de hoje são o nosso futuro de amanhã. 


Um espelho que procuramos evitar a todo o custo. Somos jovens e vivemos como se fossemos jovens para sempre. A vida é um rodopio. Evitamos essa imagem de que um dia seremos idosos. Não, isso não é para nós. É para os outros. Nós vamos ser jovens para sempre. 

Mas não é bem assim. 

Não vivemos num conto de fadas em que somos felizes para sempre e ninguém quer falar em velhice, em doenças, em chatices.


Empurramos os idosos para lá da nossa memória. Para dentro da casa deles. Para os hospitais. Para os Centros de Dia, para os Lares de Idosos, ou Casas de Acolhimento que é um nome mais pomposo. Ou Residencial. 


Desde que fiquem fora da nossa vida. Desde que não fiquem lá a se lamentar e a nos lembrar que um dia seremos nós. Seremos nós a lamentar, a lamuriar, a querer chamar a atenção.


A grande pergunta é a seguinte: O nosso futuro tem de ser assim? E se encararmos a resposta como um grande não?

Vai de facto contra a maioria. Os idosos são considerados empecilhos. Não são úteis para a sociedade. Não dizem nada de útil e não fazem nada de útil. O seu tempo acabou. Já não tem palavra a dizer. Devem se remeter ao seu silêncio. À sua dor, às suas doenças, à sua solidão e às suas dores emocionais. Porque na sociedade não existe lugar para eles.


Mas se pudermos dizer um grande não a este futuro, como mudá-lo?


Porque tem tudo de ser tão negro, tão fugaz e tão vazio? Um dia temos valor, no outro não valemos nada?


Mesmo com doenças físicas ou mentais, com o envelhecimento do nosso corpo, com os cabelos brancos, todos nós merecemos respeito.


Aos menos capazes é necessário dar todo o carinho e amor como tratamos os bebés que nascem completamente dependentes de terceiros. Porque tem de ser diferente no caso da terceira idade?


O nosso medo de envelhecer impede-nos de ver os idosos como eles são: Pessoas, seres humanos com sentimentos, com coração, com vivências. Que amaram, sofreram, tiveram alegrias, trabalharam, correram atrás de sonhos.


Temos medo de envelhecer e ficarmos incapazes. 

Essa é uma realidade possível. Mas e os idosos que não apresentam sinais de doenças incapacitantes? Serão esses obrigados a ficar sentados à frente da televisão o dia todo após muitos anos de contribuição para a sociedade?


É imperativo que aceitemos que a velhice existe e ela não tem de ser vivida frente ao televisor. 

Cabe a nós, de qualquer idade, até mesmo já sendo idosos, começar a mudança. Mudar mentalidades. Mudar hoje para amanhã usufruir. Mudar hoje para que os idosos de hoje possam usufruir. Há que quebrar conceitos. Há que criar novos conceitos. Há que criar esperança.


Imaginem uma sociedade onde os idosos não são atirados para lares, hospitais, etc. Onde os idosos são valorizados pelas suas capacidades e pelos seus saberes. Onde os idosos são professores da vida. Onde os idosos estão apenas noutra fase da sua vida. A terceira idade. As doenças existem, mas a vida também existe.


Como se sentiria se de repente acordasse num corpo idoso e fosse a pessoa que é hoje, uma pessoa inteligente, activa, que gosta de se realizar, e lhe dissessem que de hoje em diante teria de se sentar naquela cadeira, com cerca de mais quinze pessoas na mesma sala, todas elas com características e personalidades diferentes e lhe dissessem: 

De hoje em diante a única coisa que pode fazer é acordar, tomar banho, comer e ver televisão. Para o resto da sua vida. Não seria incapacitante? 


Pois então, já sabe o que sentem os idosos. Não admira que estejam tristes. Pensam que a vida tem de ser assim. Que tem de se conformar porque isso é ser idoso. Mas não é. Não é.


Cabe a nós mudar essa ideia. Mudar essa ideia que os idosos têm de si mesmos. Que a sociedade tem dos idosos.


Os idosos têm muito carinho, amizade e amor dentro dos seus corações. São as mesmas pessoas que eram quando jovens, mas com mais experiência, mais tempo disponível e mais sabedoria.


Imaginemos o quanto não podemos aprender com estas pessoas fantásticas que estão cá há tanto tempo. Imaginem as boas amizades que podem ter com os idosos à vossa volta. 


Creem mesmo que tratamos de forma digna e correcta os nossos idosos? Não gostariam de ser vocês idosos rodeados de pessoas interessadas em conhecê-los, em aprender convosco, em conviver, em passar bons momentos?


Tudo isso é possível se começarmos a agir assim com os nossos idosos. Pequenos passos acabam por se tornar grandes passos de mudança.


Todos somos seres humanos à procura de aceitação, amor e carinho. 

E todos merecemos tê-lo enquanto vivermos. 

Temos a oportunidade de mudar o futuro dos nossos idosos. 
O nosso futuro. 
Porque então continuar no mesmo registo? 


Atreva-se a fazer a diferença!




Liberte-se

Liberte-se…


Deixe ir o que já não serve a si e ao seu propósito de vida.


Passa a vida a correr para a frente e para trás, para aqui e para acolá. Lembra-se da última vez que parou para pensar naquilo que realmente quer? Nos sonhos que realmente quer realizar?


Já parou para pensar sobre o que enche e preenche o seu coração? Já parou para sentir qual é o seu sonho, qual é o seu propósito de vida?


Não dê desculpas.


 Não tenho tempo. Não tenho paciência. Tenho filhos para cuidar. Não tenho dinheiro. Não tenho…


Não, não tem nada disso! Só tem uma coisa: MEDO.


 O medo pesa. É o medo que pesa. É o medo que o faz ficar paralisado no seu coração.


Já reparou quantos pesos carrega consigo, quantas responsabilidades que não quer? Já reparou quantas coisas faz por obrigação? 
Quantas coisas faz porque acha que é da sua obrigação?


Já reparou que usa isso como desculpa?


É assim tão imprescindível ou apenas pretende ser? 


Ou apenas fez por se tornar?


É isso que lhe preenche e enche o coração?


Se é então porque lhe pesa tanto? Porque lhe causa tanta angústia? Angústia que esconde de si mesmo e dos outros. Até ao ponto em que não consegue mais esconder.


Não se sobrecarregue. Não se sobrecarregue de responsabilidade que muitas vezes buscou ter pois achava que isso a faria feliz.


Por medo de arriscar. Por medo de não conseguir ser feliz.


Só existe uma solução. Soltar o que não lhe pertence. Soltar o que não o faz feliz. Soltar o que não lhe enche e preenche o coração.


Arrisque-se a fazê-lo mesmo com medo e sentirá a leveza!

Arrisque-se a ser feliz!



quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Solidão

Quando nos sentimos sozinhos não sabemos explicar porquê.


Muitas vezes acontece quando estamos sozinhos, outras vezes acontece quando estamos acompanhados.


É uma sensação que vem de dentro. É um aperto no peito que começa devagarinho e vai torcendo e retorcendo, devagar mas como um método de tortura. A nossa vontade é fugir, mas o aperto vem atrás de nós, vem connosco, está dentro de nós.


Fazemos de tudo para evitarmos essa sensação. Tudo menos enfrentá-la.


Telefonamos a um amigo, colocamos música, saímos de casa, tudo para procurar apagar essa dor. Mas quando regressamos e ficamos sozinhos ela volta como um fantasma. E quando é muito forte nunca nos deixa. Acompanha-nos para todo o lado.


Por isso nos rodeamos com tecnologia. Telemóveis, computadores, etc. Tudo para ocupar a mente e ter a sensação de estar sempre ocupados com alguma coisa. Ocupar as mãos e a mente com alguma tarefa que não enfrentar esse buraco negro que queremos tanto ignorar mas que continua a existir.


Mas porque ignoramos essa sensação de solidão? Do que temos medo afinal?


Temos medo de ouvir a nossa voz interior. Temos medo de não gostarmos dela e de não gostarmos da nossa própria companhia.


A solidão é um grito, um pedido de ajuda de nós mesmos para nós mesmos. Grito esse que ignoramos. E a partir daí o grito não para. Excepto quando deixamos de o ignorar.

     Se pedimos ajuda, porque não paramos para ouvir o pedido? O maior erro que podemos cometer é não ouvir o pedido de ajuda.


Estar muito ocupado, ter muitos amigos, sair muitas vezes, fazer 1001 actividades não é sinonimo de felicidade. É sinal de que algo está errado. É essencial termos tempo para nós mesmos.


Ao contrário do que pensamos, se ficarmos sozinhos essa dor não vai aumentar até nos matar. Poderá aumentar relativamente ou até bastante quando a enfrentarmos. Mas é um processo de cura. Um processo de limpeza de algo que não aceitamos em nós mesmos.


É altura de parar e escutar o vazio e o que ele tem a nos dizer. 


                   Ouvir, aceitar, acarinhar e tratar.



Quando nos aceitarmos a nós mesmos e amarmo-nos tal como somos esse vazio irá desaparecer. 


Porque não teremos medo de nós mesmos nem medo de estarmos sozinhos connosco mesmos.

sábado, 12 de outubro de 2013

Espelho meu, espelho meu... Diz-me quem sou eu

Todos nós temos em consideração o que os outros pensam sobre nós. Foi-nos incutido desde sempre. Pelos nossos pais, pelos nossos avós a típica frase: “O que é que fulano ou beltrano vai pensar?” E nós crescemos, vamos para a escola, arranjamos emprego, família, filhos. E trazemos connosco esse “O que é que X ou Y vai pensar de nós”?
Já pararam para questionar porque é que importa o que os outros vão pensar de nós? O que é que nós fazemos que nos suscite essa pergunta? Será que de facto cometemos assim tantos actos vergonhosos que façam os outros falar ou será que está tudo no nosso psicológico incutido por quem pensava que nos estava a dar a melhor educação possível (e estava dentro das suas possibilidades e conhecimentos)?
Será que temos de ter assim tanta vergonha de nós mesmos? Não deveríamos antes começar a dar mais crédito a nós mesmos? Às nossas qualidades mais do que aos nossos defeitos?
Peguem na questão sobre o que os outros irão pensar de nós. Os outros são perfeitos? Os outros vivem dentro da nossa cabeça? Os outros conhecem-nos? O que é que os outros têm a ver com o que fazemos ou deixamos de fazer? Não somos todos livres?
Porque não esquecemos o que os outros pensam e começamos nós a pensar nas seguintes questões:
  • Porque é que me desvalorizo perante os olhos dos outros?
  • O que posso fazer para me valorizar mais, para me estimar mais e amar mais?
  • Quais são as minhas qualidades, aptidões, dons? De que forma posso desenvolvê-los?
  • Faço aquilo que gosto?
  • Sou uma pessoa genuína?
  • O que posso fazer para ser a pessoa que EU quero ser ou para ser alguém melhor?
Todos nós sem excepção temos defeitos e temos qualidades. O que fazemos ou deixamos de fazer tem de agradar unicamente a nós mesmos. Respeitem sempre a liberdade dos outros mas também a vossa. Sejam vocês mesmos e amem-se por isso! Se o fizerem, o que Fulano ou Beltrano disser não irá interessar assim tanto! Sejam felizes e autênticos!
Usamos inúmeras vezes as outras pessoas como nossos espelhos sem nos darmos conta. Espelhos são objectos que reflectem a nossa imagem. E existem pessoas pela nossa vida fora que são nossos espelhos. Tanto podem ser características agradáveis como desagradáveis. As desagradáveis são as que temos mais dificuldade em identificar e aceitar como sendo algo que temos em nós mesmos.
Portanto aquela pessoa que nos irrita, que nos transtorna ou que causa qualquer outro sentimento negativo dos mais variados graus é um espelho nosso quer aceitemos quer não. Se nos incomoda é porque mexe connosco. Se mexe connosco é porque faz alguma espécie de eco dentro de nós.
Podemos dizer que é impossível termos alguma coisa em comum com aquela pessoa. Dizer que somos completamente diferentes. Contudo todas as pessoas que se cruzam connosco têm alguma coisa para nos ensinar e por vezes nós também às mesmas. Podemos ser espelhos de outras pessoas, mas isso é com elas e não connosco.
O que acontece muitas vezes é que de forma a nos chamar a atenção, esse espelho é exagerado na sua característica. Por isso dizemos muita vez que somos muito diferentes dessa pessoa. Seremos mesmo assim tão diferentes?
Quanto mais depressa aprendermos a lição que essa pessoa tem para nós, mais depressa ela segue caminho, ou nós seguimos caminho, ou deixamos de nos incomodar tanto com essa pessoa.
Para tirar o melhor proveito da lição devemos nos questionar sobre essa caraterística exagerada que a pessoa manifesta e que nós não gostamos nada. Devemos nos perguntar até que ponto temos essa característica em nós e questionar porque negamos essa característica em nós (exemplo: arrogância).
Entender o porquê de nos incomodar tanto essa característica é meio caminho andado para aceitar que a temos e perceber o que podemos fazer para a melhorar e aceitar como sendo nossa. Devemos sempre tentar tirar conclusões positivas.
O conflito com a outra pessoa poderá se resolver ou não. Temos de ter em conta que a pessoa que faz de nosso espelho também é um Ser Humano com as suas qualidades e defeitos e com o seu próprio caminho e lições para aprender e nem sempre serão capazes de lidar de forma positiva em relação a como se relacionam (ou não se relacionam) connosco.
Aceitem os espelhos que a vida trás. Aprenda com eles, perdoem-nos e perdoem-se a si mesmos. Algumas lições serão mais dolorosas e difíceis que outras mas no fim sentir-se-ão aliviados por finalmente terem entendido a lição e poderem passar à seguinte!
Um pouco mais complexo é perceber exactamente como aprender com os nossos espelhos.
Primeiro temos de identificar qual a característica ou caraterísticas que a outra pessoa espelha.
Muitas vezes como forma de protecção negamos ter essa característica em nós mesmos e negamos qualquer responsabilidade sobre os nossos menos nobres sentimentos sobre essa pessoa. Afinal essa pessoa tem defeitos que não suportamos.
A maior parte das vezes essa característica é exagerada em relação à proporção em que ela existe em nós mas como bom espelho que é, a pessoa reflecte a importância que nós damos a essa característica em termos de tamanho/dimensão.
Assim aparece-nos um espelho em exagero para que nós sejamos obrigados a enfrentar essa mesma característica fora de nós mesmos. Mesmo assim muitas vezes não o conseguimos fazer sendo que o conflito se prolonga por tempo indefinido.
Após identificada a característica é muito importante perceber em que polo/extremo nos encontramos.
Podemos ver o exemplo da arrogância como a característica espelho. Conhecemos uma pessoa que não suportamos porque é muito arrogante. Precisamos analisar essa característica em nós e perceber em que polo/extremo nos encontramos:
  • O polo/extremo em que ficamos quietos para não sermos julgados arrogantes.
  • O polo/extremo em que somos arrogantes.
Em ambos os polos/extremos podemos ser julgados pelos outros como arrogantes. No primeiro pela inacção, no segundo pela acção. A arrogância é usada como exemplo mas poderá ser qualquer outra característica. Por norma a pessoa espelho encontra-se no polo/extremo oposto ao nosso.
E não é pouco comum a característica esta associada a um medo nosso. Neste caso o medo seria de ser julgado arrogante ou o de ser arrogante consoante o polo/extremo em que nos encontramos.
A pessoa espelho surge não só como reflexo de uma característica que não aceitamos em nós mas também como uma que temos medo de desenvolver/ter. De uma forma ou de outra podemos ser julgados por termos essa característica seja por inacção, seja por acção.
A nossa lição é aprender a lidar com o polo/extremo em que nos encontramos e aprender com a outra pessoa (espelho) que se encontra no outro polo/extremo. Tendo assim dados sobre os dois polos/extremos e após a aceitação da existência dos mesmos poderemos então procurar o Equilíbrio que se encontra exactamente entre os dois polos/extremos. Esse equilíbrio é a grande aprendizagem.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Reclamar



Todos nós reclamamos por um motivo ou por outro. 
Os motivos são inúmeros assim como os sentimentos adjacentes.

Contudo o foco aqui não são os motivos pelos quais as pessoas reclamam, mas sim porque reclamam.

 Porque reclamamos tanto? 

Será que consideramos que a reclamação é uma solução para o problema ou que é um desabafo?


Até certo ponto pode ajudar a transportar o foco para a resolução do problema ou ajudar a lidar com a situação como uma forma de desabafo inicial. Mas a longo prazo reclamar não se transforma numa solução para a questão.

Prolongar a reclamação demonstra que a pessoa não consegue vislumbrar uma ou várias soluções para a questão. Aqui o foco encontra-se no problema e não na solução.

Ao focar-se no problema a pessoa não é capaz de listar possíveis soluções. A resposta não está no problema. Reclamar sobre ele não trás nada de novo à equação. É necessário acrescentar algo de novo.
É necessário deixar de lado a reclamação que no fundo esconde o medo de não conseguir solucionar o problema.

Quando reclamamos sem procurar soluções, estamos a relegar a resolução da situação para terceiros.


É necessário ter muita atenção a estes aspectos: a partir de certo ponto a reclamação é inércia e delegação para terceiros de um problema ou situação que gostaríamos de ver resolvidos mas para o qual não estamos dispostos a meter a mão na massa ou porque não nos achamos capazes de o fazer ou por uma data de outros motivos variáveis.


Devermos então tomar responsabilidades pelos nossos pensamentos e acções. 

Governar os nossos pensamentos significa não nos deixarmos levar por eles e pelas emoções adjacentes.
Devemos após o maior ou menor choque inicial, analisar os nossos pensamentos e sentimentos. Analisar as nossas reclamações e perceber porque razão estamos a reclamar.


Deixar um pouco de lado o problema e a forma como nos aflige e começar a pelo menos elaborar uma lista de soluções possíveis.


Antes de entrar nesta fase devemos parar um pouco e analisar a situação. 

É uma situação em que nós podemos intervir de alguma forma?

Se a resposta é não, temos duas soluções: Continuamos a reclamar mesmo sabendo que isso não nos leva a lugar nenhum ou deixamos o assunto como está.

Se a resposta é sim, devemos deixar de perder tempo com reclamações e começar a desenhar respostas para a situação.

Esta mudança fará pequenos milagres pois não nos atormentaremos tanto pois estaremos a agir ou a deixar a questão de lado. Estando focados nas soluções esquecemos um pouco o mau estar provocado pelo problema e ocupamo-nos das soluções para o mesmo, acabando por nos sentirmos úteis.

Deixando de reclamar por reclamar tornar-nos-emos mais agradáveis para as pessoas à nossa volta que também ficam no raio das nossas reclamações e estas irão poder observar que somos proactivos na procura de soluções. Apenas existirão benefícios para a própria pessoa, para as que a rodeiam e o mais importante para o problema/situação.


Não deixe que as suas reclamações controlem a sua vida!