quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Solidão

Quando nos sentimos sozinhos não sabemos explicar porquê.


Muitas vezes acontece quando estamos sozinhos, outras vezes acontece quando estamos acompanhados.


É uma sensação que vem de dentro. É um aperto no peito que começa devagarinho e vai torcendo e retorcendo, devagar mas como um método de tortura. A nossa vontade é fugir, mas o aperto vem atrás de nós, vem connosco, está dentro de nós.


Fazemos de tudo para evitarmos essa sensação. Tudo menos enfrentá-la.


Telefonamos a um amigo, colocamos música, saímos de casa, tudo para procurar apagar essa dor. Mas quando regressamos e ficamos sozinhos ela volta como um fantasma. E quando é muito forte nunca nos deixa. Acompanha-nos para todo o lado.


Por isso nos rodeamos com tecnologia. Telemóveis, computadores, etc. Tudo para ocupar a mente e ter a sensação de estar sempre ocupados com alguma coisa. Ocupar as mãos e a mente com alguma tarefa que não enfrentar esse buraco negro que queremos tanto ignorar mas que continua a existir.


Mas porque ignoramos essa sensação de solidão? Do que temos medo afinal?


Temos medo de ouvir a nossa voz interior. Temos medo de não gostarmos dela e de não gostarmos da nossa própria companhia.


A solidão é um grito, um pedido de ajuda de nós mesmos para nós mesmos. Grito esse que ignoramos. E a partir daí o grito não para. Excepto quando deixamos de o ignorar.

     Se pedimos ajuda, porque não paramos para ouvir o pedido? O maior erro que podemos cometer é não ouvir o pedido de ajuda.


Estar muito ocupado, ter muitos amigos, sair muitas vezes, fazer 1001 actividades não é sinonimo de felicidade. É sinal de que algo está errado. É essencial termos tempo para nós mesmos.


Ao contrário do que pensamos, se ficarmos sozinhos essa dor não vai aumentar até nos matar. Poderá aumentar relativamente ou até bastante quando a enfrentarmos. Mas é um processo de cura. Um processo de limpeza de algo que não aceitamos em nós mesmos.


É altura de parar e escutar o vazio e o que ele tem a nos dizer. 


                   Ouvir, aceitar, acarinhar e tratar.



Quando nos aceitarmos a nós mesmos e amarmo-nos tal como somos esse vazio irá desaparecer. 


Porque não teremos medo de nós mesmos nem medo de estarmos sozinhos connosco mesmos.

sábado, 12 de outubro de 2013

Espelho meu, espelho meu... Diz-me quem sou eu

Todos nós temos em consideração o que os outros pensam sobre nós. Foi-nos incutido desde sempre. Pelos nossos pais, pelos nossos avós a típica frase: “O que é que fulano ou beltrano vai pensar?” E nós crescemos, vamos para a escola, arranjamos emprego, família, filhos. E trazemos connosco esse “O que é que X ou Y vai pensar de nós”?
Já pararam para questionar porque é que importa o que os outros vão pensar de nós? O que é que nós fazemos que nos suscite essa pergunta? Será que de facto cometemos assim tantos actos vergonhosos que façam os outros falar ou será que está tudo no nosso psicológico incutido por quem pensava que nos estava a dar a melhor educação possível (e estava dentro das suas possibilidades e conhecimentos)?
Será que temos de ter assim tanta vergonha de nós mesmos? Não deveríamos antes começar a dar mais crédito a nós mesmos? Às nossas qualidades mais do que aos nossos defeitos?
Peguem na questão sobre o que os outros irão pensar de nós. Os outros são perfeitos? Os outros vivem dentro da nossa cabeça? Os outros conhecem-nos? O que é que os outros têm a ver com o que fazemos ou deixamos de fazer? Não somos todos livres?
Porque não esquecemos o que os outros pensam e começamos nós a pensar nas seguintes questões:
  • Porque é que me desvalorizo perante os olhos dos outros?
  • O que posso fazer para me valorizar mais, para me estimar mais e amar mais?
  • Quais são as minhas qualidades, aptidões, dons? De que forma posso desenvolvê-los?
  • Faço aquilo que gosto?
  • Sou uma pessoa genuína?
  • O que posso fazer para ser a pessoa que EU quero ser ou para ser alguém melhor?
Todos nós sem excepção temos defeitos e temos qualidades. O que fazemos ou deixamos de fazer tem de agradar unicamente a nós mesmos. Respeitem sempre a liberdade dos outros mas também a vossa. Sejam vocês mesmos e amem-se por isso! Se o fizerem, o que Fulano ou Beltrano disser não irá interessar assim tanto! Sejam felizes e autênticos!
Usamos inúmeras vezes as outras pessoas como nossos espelhos sem nos darmos conta. Espelhos são objectos que reflectem a nossa imagem. E existem pessoas pela nossa vida fora que são nossos espelhos. Tanto podem ser características agradáveis como desagradáveis. As desagradáveis são as que temos mais dificuldade em identificar e aceitar como sendo algo que temos em nós mesmos.
Portanto aquela pessoa que nos irrita, que nos transtorna ou que causa qualquer outro sentimento negativo dos mais variados graus é um espelho nosso quer aceitemos quer não. Se nos incomoda é porque mexe connosco. Se mexe connosco é porque faz alguma espécie de eco dentro de nós.
Podemos dizer que é impossível termos alguma coisa em comum com aquela pessoa. Dizer que somos completamente diferentes. Contudo todas as pessoas que se cruzam connosco têm alguma coisa para nos ensinar e por vezes nós também às mesmas. Podemos ser espelhos de outras pessoas, mas isso é com elas e não connosco.
O que acontece muitas vezes é que de forma a nos chamar a atenção, esse espelho é exagerado na sua característica. Por isso dizemos muita vez que somos muito diferentes dessa pessoa. Seremos mesmo assim tão diferentes?
Quanto mais depressa aprendermos a lição que essa pessoa tem para nós, mais depressa ela segue caminho, ou nós seguimos caminho, ou deixamos de nos incomodar tanto com essa pessoa.
Para tirar o melhor proveito da lição devemos nos questionar sobre essa caraterística exagerada que a pessoa manifesta e que nós não gostamos nada. Devemos nos perguntar até que ponto temos essa característica em nós e questionar porque negamos essa característica em nós (exemplo: arrogância).
Entender o porquê de nos incomodar tanto essa característica é meio caminho andado para aceitar que a temos e perceber o que podemos fazer para a melhorar e aceitar como sendo nossa. Devemos sempre tentar tirar conclusões positivas.
O conflito com a outra pessoa poderá se resolver ou não. Temos de ter em conta que a pessoa que faz de nosso espelho também é um Ser Humano com as suas qualidades e defeitos e com o seu próprio caminho e lições para aprender e nem sempre serão capazes de lidar de forma positiva em relação a como se relacionam (ou não se relacionam) connosco.
Aceitem os espelhos que a vida trás. Aprenda com eles, perdoem-nos e perdoem-se a si mesmos. Algumas lições serão mais dolorosas e difíceis que outras mas no fim sentir-se-ão aliviados por finalmente terem entendido a lição e poderem passar à seguinte!
Um pouco mais complexo é perceber exactamente como aprender com os nossos espelhos.
Primeiro temos de identificar qual a característica ou caraterísticas que a outra pessoa espelha.
Muitas vezes como forma de protecção negamos ter essa característica em nós mesmos e negamos qualquer responsabilidade sobre os nossos menos nobres sentimentos sobre essa pessoa. Afinal essa pessoa tem defeitos que não suportamos.
A maior parte das vezes essa característica é exagerada em relação à proporção em que ela existe em nós mas como bom espelho que é, a pessoa reflecte a importância que nós damos a essa característica em termos de tamanho/dimensão.
Assim aparece-nos um espelho em exagero para que nós sejamos obrigados a enfrentar essa mesma característica fora de nós mesmos. Mesmo assim muitas vezes não o conseguimos fazer sendo que o conflito se prolonga por tempo indefinido.
Após identificada a característica é muito importante perceber em que polo/extremo nos encontramos.
Podemos ver o exemplo da arrogância como a característica espelho. Conhecemos uma pessoa que não suportamos porque é muito arrogante. Precisamos analisar essa característica em nós e perceber em que polo/extremo nos encontramos:
  • O polo/extremo em que ficamos quietos para não sermos julgados arrogantes.
  • O polo/extremo em que somos arrogantes.
Em ambos os polos/extremos podemos ser julgados pelos outros como arrogantes. No primeiro pela inacção, no segundo pela acção. A arrogância é usada como exemplo mas poderá ser qualquer outra característica. Por norma a pessoa espelho encontra-se no polo/extremo oposto ao nosso.
E não é pouco comum a característica esta associada a um medo nosso. Neste caso o medo seria de ser julgado arrogante ou o de ser arrogante consoante o polo/extremo em que nos encontramos.
A pessoa espelho surge não só como reflexo de uma característica que não aceitamos em nós mas também como uma que temos medo de desenvolver/ter. De uma forma ou de outra podemos ser julgados por termos essa característica seja por inacção, seja por acção.
A nossa lição é aprender a lidar com o polo/extremo em que nos encontramos e aprender com a outra pessoa (espelho) que se encontra no outro polo/extremo. Tendo assim dados sobre os dois polos/extremos e após a aceitação da existência dos mesmos poderemos então procurar o Equilíbrio que se encontra exactamente entre os dois polos/extremos. Esse equilíbrio é a grande aprendizagem.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Reclamar



Todos nós reclamamos por um motivo ou por outro. 
Os motivos são inúmeros assim como os sentimentos adjacentes.

Contudo o foco aqui não são os motivos pelos quais as pessoas reclamam, mas sim porque reclamam.

 Porque reclamamos tanto? 

Será que consideramos que a reclamação é uma solução para o problema ou que é um desabafo?


Até certo ponto pode ajudar a transportar o foco para a resolução do problema ou ajudar a lidar com a situação como uma forma de desabafo inicial. Mas a longo prazo reclamar não se transforma numa solução para a questão.

Prolongar a reclamação demonstra que a pessoa não consegue vislumbrar uma ou várias soluções para a questão. Aqui o foco encontra-se no problema e não na solução.

Ao focar-se no problema a pessoa não é capaz de listar possíveis soluções. A resposta não está no problema. Reclamar sobre ele não trás nada de novo à equação. É necessário acrescentar algo de novo.
É necessário deixar de lado a reclamação que no fundo esconde o medo de não conseguir solucionar o problema.

Quando reclamamos sem procurar soluções, estamos a relegar a resolução da situação para terceiros.


É necessário ter muita atenção a estes aspectos: a partir de certo ponto a reclamação é inércia e delegação para terceiros de um problema ou situação que gostaríamos de ver resolvidos mas para o qual não estamos dispostos a meter a mão na massa ou porque não nos achamos capazes de o fazer ou por uma data de outros motivos variáveis.


Devermos então tomar responsabilidades pelos nossos pensamentos e acções. 

Governar os nossos pensamentos significa não nos deixarmos levar por eles e pelas emoções adjacentes.
Devemos após o maior ou menor choque inicial, analisar os nossos pensamentos e sentimentos. Analisar as nossas reclamações e perceber porque razão estamos a reclamar.


Deixar um pouco de lado o problema e a forma como nos aflige e começar a pelo menos elaborar uma lista de soluções possíveis.


Antes de entrar nesta fase devemos parar um pouco e analisar a situação. 

É uma situação em que nós podemos intervir de alguma forma?

Se a resposta é não, temos duas soluções: Continuamos a reclamar mesmo sabendo que isso não nos leva a lugar nenhum ou deixamos o assunto como está.

Se a resposta é sim, devemos deixar de perder tempo com reclamações e começar a desenhar respostas para a situação.

Esta mudança fará pequenos milagres pois não nos atormentaremos tanto pois estaremos a agir ou a deixar a questão de lado. Estando focados nas soluções esquecemos um pouco o mau estar provocado pelo problema e ocupamo-nos das soluções para o mesmo, acabando por nos sentirmos úteis.

Deixando de reclamar por reclamar tornar-nos-emos mais agradáveis para as pessoas à nossa volta que também ficam no raio das nossas reclamações e estas irão poder observar que somos proactivos na procura de soluções. Apenas existirão benefícios para a própria pessoa, para as que a rodeiam e o mais importante para o problema/situação.


Não deixe que as suas reclamações controlem a sua vida!