Quando
nos sentimos sozinhos não sabemos explicar porquê.
Muitas vezes
acontece quando estamos sozinhos, outras vezes acontece quando estamos
acompanhados.
É uma sensação
que vem de dentro. É um aperto no peito que começa devagarinho e vai torcendo e
retorcendo, devagar mas como um método de tortura. A nossa vontade é fugir, mas
o aperto vem atrás de nós, vem connosco, está dentro de nós.
Fazemos
de tudo para evitarmos essa sensação. Tudo menos enfrentá-la.
Telefonamos
a um amigo, colocamos música, saímos de casa, tudo para procurar apagar essa
dor. Mas quando regressamos e ficamos sozinhos ela volta como um fantasma. E
quando é muito forte nunca nos deixa. Acompanha-nos para todo o lado.
Por
isso nos rodeamos com tecnologia. Telemóveis, computadores, etc. Tudo para
ocupar a mente e ter a sensação de estar sempre ocupados com alguma coisa.
Ocupar as mãos e a mente com alguma tarefa que não enfrentar esse buraco negro
que queremos tanto ignorar mas que continua a existir.
Mas
porque ignoramos essa sensação de solidão? Do que temos medo afinal?
Temos
medo de ouvir a nossa voz interior. Temos medo de não gostarmos dela e de não
gostarmos da nossa própria companhia.
A
solidão é um grito, um pedido de ajuda de nós mesmos para nós mesmos. Grito
esse que ignoramos. E a partir daí o grito não para. Excepto quando deixamos de
o ignorar.
Se
pedimos ajuda, porque não paramos para ouvir o pedido? O maior erro que podemos
cometer é não ouvir o pedido de ajuda.
Estar
muito ocupado, ter muitos amigos, sair muitas vezes, fazer 1001 actividades não
é sinonimo de felicidade. É sinal de que algo está errado. É essencial termos
tempo para nós mesmos.
Ao
contrário do que pensamos, se ficarmos sozinhos essa dor não vai aumentar até
nos matar. Poderá aumentar relativamente ou até bastante quando a enfrentarmos.
Mas é um processo de cura. Um processo de limpeza de algo que não aceitamos em
nós mesmos.
É
altura de parar e escutar o vazio e o que ele tem a nos dizer.
Ouvir, aceitar,
acarinhar e tratar.
Quando nos aceitarmos a nós
mesmos e amarmo-nos tal como somos esse vazio irá desaparecer.
Porque não
teremos medo de nós mesmos nem medo de estarmos sozinhos connosco mesmos.
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