Os
idosos de hoje são o nosso futuro de amanhã.
Um espelho que procuramos evitar a
todo o custo. Somos jovens e vivemos como se fossemos jovens para sempre. A
vida é um rodopio. Evitamos essa imagem de que um dia seremos idosos. Não, isso
não é para nós. É para os outros. Nós vamos ser jovens para sempre.
Mas não é
bem assim.
Não vivemos num conto de fadas em que somos felizes para sempre e
ninguém quer falar em velhice, em doenças, em chatices.
Empurramos
os idosos para lá da nossa memória. Para dentro da casa deles. Para os
hospitais. Para os Centros de Dia, para os Lares de Idosos, ou Casas de
Acolhimento que é um nome mais pomposo. Ou Residencial.
Desde que fiquem fora
da nossa vida. Desde que não fiquem lá a se lamentar e a nos lembrar que um dia
seremos nós. Seremos nós a lamentar, a lamuriar, a querer chamar a atenção.
A
grande pergunta é a seguinte: O nosso futuro tem de ser assim? E se encararmos
a resposta como um grande não?
Vai
de facto contra a maioria. Os idosos são considerados empecilhos. Não são úteis
para a sociedade. Não dizem nada de útil e não fazem nada de útil. O seu tempo
acabou. Já não tem palavra a dizer. Devem se remeter ao seu silêncio. À sua
dor, às suas doenças, à sua solidão e às suas dores emocionais. Porque na
sociedade não existe lugar para eles.
Mas
se pudermos dizer um grande não a este futuro, como mudá-lo?
Porque
tem tudo de ser tão negro, tão fugaz e tão vazio? Um dia temos valor, no outro não
valemos nada?
Mesmo
com doenças físicas ou mentais, com o envelhecimento do nosso corpo, com os
cabelos brancos, todos nós merecemos respeito.
Aos
menos capazes é necessário dar todo o carinho e amor como tratamos os bebés que
nascem completamente dependentes de terceiros. Porque tem de ser diferente no
caso da terceira idade?
O
nosso medo de envelhecer impede-nos de ver os idosos como eles são: Pessoas,
seres humanos com sentimentos, com coração, com vivências. Que amaram,
sofreram, tiveram alegrias, trabalharam, correram atrás de sonhos.
Temos
medo de envelhecer e ficarmos incapazes.
Essa é uma realidade possível. Mas e
os idosos que não apresentam sinais de doenças incapacitantes? Serão esses
obrigados a ficar sentados à frente da televisão o dia todo após muitos anos de
contribuição para a sociedade?
É
imperativo que aceitemos que a velhice existe e ela não tem de ser vivida
frente ao televisor.
Cabe a nós, de qualquer idade, até mesmo já sendo idosos,
começar a mudança. Mudar mentalidades. Mudar hoje para amanhã usufruir. Mudar
hoje para que os idosos de hoje possam usufruir. Há que quebrar conceitos. Há
que criar novos conceitos. Há que criar esperança.
Imaginem
uma sociedade onde os idosos não são atirados para lares, hospitais, etc. Onde
os idosos são valorizados pelas suas capacidades e pelos seus saberes. Onde os
idosos são professores da vida. Onde os idosos estão apenas noutra fase da sua
vida. A terceira idade. As doenças existem, mas a vida também existe.
Como
se sentiria se de repente acordasse num corpo idoso e fosse a pessoa que é
hoje, uma pessoa inteligente, activa, que gosta de se realizar, e lhe dissessem
que de hoje em diante teria de se sentar naquela cadeira, com cerca de mais
quinze pessoas na mesma sala, todas elas com características e personalidades
diferentes e lhe dissessem:
De hoje em diante a única coisa que pode fazer é
acordar, tomar banho, comer e ver televisão. Para o resto da sua vida. Não
seria incapacitante?
Pois então, já sabe o que sentem os idosos. Não admira que
estejam tristes. Pensam que a vida tem de ser assim. Que tem de se conformar
porque isso é ser idoso. Mas não é. Não é.
Cabe
a nós mudar essa ideia. Mudar essa ideia que os idosos têm de si mesmos. Que a
sociedade tem dos idosos.
Os
idosos têm muito carinho, amizade e amor dentro dos seus corações. São as
mesmas pessoas que eram quando jovens, mas com mais experiência, mais tempo
disponível e mais sabedoria.
Imaginemos
o quanto não podemos aprender com estas pessoas fantásticas que estão cá há
tanto tempo. Imaginem as boas amizades que podem ter com os idosos à vossa
volta.
Creem mesmo que tratamos de forma digna e correcta os nossos idosos? Não
gostariam de ser vocês idosos rodeados de pessoas interessadas em conhecê-los,
em aprender convosco, em conviver, em passar bons momentos?
Tudo
isso é possível se começarmos a agir assim com os nossos idosos. Pequenos
passos acabam por se tornar grandes passos de mudança.
Todos
somos seres humanos à procura de aceitação, amor e carinho.
E todos merecemos
tê-lo enquanto vivermos.
Temos a oportunidade de mudar o futuro dos nossos
idosos.
O nosso futuro.
Porque então continuar no mesmo registo?
Atreva-se a
fazer a diferença!
Sem comentários:
Enviar um comentário