PARTE 3
Um pouco mais complexo é perceber exactamente como aprender com os nossos espelhos.
Primeiro
temos de identificar qual a característica ou caraterísticas que a outra pessoa
espelha.
Muitas vezes como forma
de protecção negamos ter essa característica em nós mesmos e negamos qualquer
responsabilidade sobre os nossos menos nobres sentimentos sobre essa pessoa.
Afinal essa pessoa tem defeitos que não suportamos.
A maior parte das vezes
essa característica é exagerada em relação à proporção em que ela existe em nós
mas como bom espelho que é, a pessoa reflecte a importância que nós damos a
essa característica em termos de tamanho/dimensão.
Assim aparece-nos um
espelho em exagero para que nós sejamos obrigados a enfrentar essa mesma
característica fora de nós mesmos.
Mesmo assim muitas vezes não o conseguimos
fazer sendo que o conflito se prolonga por tempo indefinido.
Após identificada a
característica é muito importante perceber em que polo/extremo nos encontramos.
Podemos ver o exemplo
da arrogância como a característica espelho.
Conhecemos uma pessoa que não
suportamos porque é muito arrogante.
Precisamos analisar essa característica em
nós e perceber em que polo/extremo nos encontramos:
- O polo/extremo em que
ficamos quietos para não sermos julgados arrogantes.
- O polo/extremo em que
somos arrogantes.
Em ambos os polos/extremos podemos ser julgados pelos
outros como arrogantes.
No primeiro pela inacção, no segundo pela acção. A
arrogância é usada como exemplo mas poderá ser qualquer outra característica.
Por norma a pessoa espelho encontra-se no polo/extremo oposto ao nosso.
E não é pouco comum a
característica esta associada a um medo nosso. Neste caso o medo seria de ser
julgado arrogante ou o de ser arrogante consoante o polo/extremo em que nos
encontramos.
A
pessoa espelho surge não só como reflexo de uma característica que não
aceitamos em nós mas também como uma que temos medo de desenvolver/ter. De uma
forma ou de outra podemos ser julgados por termos essa característica seja por
inacção, seja por acção.
A
nossa lição é aprender a lidar com o polo/extremo em que nos encontramos e
aprender com a outra pessoa (espelho) que se encontra no outro polo/extremo.
Tendo assim dados sobre os dois polos/extremos e após a aceitação da existência dos mesmos poderemos então procurar o Equilíbrio que se encontra exactamente entre os dois polos/extremos. Esse equilíbrio é a grande aprendizagem.
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